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Desabafo Barato

Desabafo Barato: Separação e isolamento

O isolamento social não acabou com a relação de ninguém.

Sei bem como é passar por um término de relacionamento.

A gente sempre fica tentando buscar respostas para as milhões de perguntas que surgem na nossa cabeça. Muitas dessas perguntas não têm respostas porque queremos achar explicações para coisas que se passaram em um outra cabeça. A gente sempre tenta levar tudo para nossa própria ótica.

Vejo muita gente relacionando términos com a pandemia e com o isolamento e não é bem assim.

Que o isolamento mexeu com a cabeça e com a vida das pessoas, isso não há dúvidas.

Desabafo Barato: Separação e Isolamento
Pintura em aquarela | by @ingrid
Em uma das muitas reflexões que fiz durante esses últimos meses foi que o isolamento está nos fazendo pensar sobre o que é distração e o que é essencial.

Cito como exemplo de distrações: shoppings, cinemas, restaurantes, bares, academias, viagens.

Cito como essencial: amigos, saúde mental, família, hobbies.

Durante esse período de isolamento a gente ficou menos tolerante para as coisas que não importam, para as coisas que nos desrespeitam, para as coisas que nos fazem mal.

Nos fez ver muito de perto o que faz bem e o que nos faz mal.

Muitas dessas relações, possivelmente, já estavam mal antes mesmo da pandemia. 

Quem vive preso nas distrações está sentindo o peso forte da pandemia.

Quem estava dando atenção para o que era essencial, sobreviveu e segue sobrevivendo.

Eu não disse em nenhum momento que as distrações não são importantes, tá? Elas são e fazem falta, mas podemos seguir em frente sem elas.

Se a gente for falar das coisas essenciais, qualquer um daqueles 4 exemplos a menos é um problema.

Quando eu falo de amigos, estou também falando da pessoa que a gente escolhe para ser companheiro de vida. Mais do que namorado, namorada, esposo, esposa, ou seja qual for o rótulo que você queira dar, essa pessoa precisa ser amiga. Precisa ser alguém que você possa contar e dividir momentos bons e ruins.

Na saúde mental a gente costuma pecar um monte. Vamos acumulando problemas não resolvidos com muita facilidade. Esse talvez devesse ser o nosso principal ponto de atenção. Precisamos olhar pra dentro da gente com carinho e nos cuidar. Sem saúde mental não fazemos bem nem para nós mesmos e nem para as pessoas ao nosso redor.

Família é a nossa base. E o conceito de família aqui é amplo. Pode ser quem você considerar pai, mãe, irmão, irmã, vô, vó, tio, tia, primo ou prima. Família vai além de laço sanguíneo.

O nossos hobbies são nossas válvulas de escape. Jogar, ler, pintar, escrever, bordar, dançar, tocar um instrumento musical, ver série, filmes, sei lá. Ter algo para manter a mente ocupada. Isso é importante. E se você enquadrou seu trabalho como hobby, dentro do meu entendimento, isso se chama ser workaholic. Preencher o tempo livre com trabalho não me parece algo saudável. Podemos ser produtivos até meditando, que para uns significa não fazer nada…

O respeito à individualidade nunca ficou tão aflorado nesses últimos meses para quem divide o teto com outras pessoas.

Cada indivíduo vai lidar de forma diferente com a privação das distrações e com as coisas que considerar como essenciais.

Quanto mais pessoas debaixo do mesmo teto, maior o desafio.

O equilíbrio pode ser que seja a tal chave para tudo nessa vida, mas não tem receita de bolo.

Os fardos estão pesados pra todo mundo. Tudo que não precisamos é de alguém colocando mais peso.

O isolamento social não acabou com a relação de ninguém.

A gente mesmo que está fazendo isso.


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Por Ingrid

Sou cariúcha que não curte praia e adora chimarrão, casada com o Duda e mãe de duas gatinhas. Meus verbos preferidos: viajar, pechinchar, comer, cozinhar, falar, criar. =)