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Desabafo Barato

Desabafo Barato: O novo (a)normal

Se tem um termo que detesto mais do mindset, esse termo é o raio do novo normal.

Pra começo de conversa, o que é o conceito de normalidade?

Indo para o conceito da palavra, já temos algo que não bate, até mesmo dentro do cenário pré-pandemia.

Usual, comum, natural, regra, norma,… 

Dizer que a gente tinha vida normal não me parece algo verdadeiro. Essa normalidade não é senso comum e nossas vidas nunca foram normais.

Acho que todo mundo já ter ouvido em algum momento que a doença considerada o mal do século é a ansiedade e ela já vem nos consumindo em ritmo acelerado faz tempo.

Quem tem diagnóstico sabe muito bem do que eu estou falando e sabe da dificuldade que é equilibrar os pratinhos da vida. 

Quem não tem o diagnóstico e pesquisar um pouco sobre o assunto, talvez descubra que sofre também só não sabia exatamente quais eram sintomas e que o mal tem nome: transtorno de ansiedade. 

O novo normal é fake news.

O novo normal é um discurso que se apropriaram pra dizer pra gente que está tudo bem e que é só se adaptar que está tudo certo.

NÃO ESTÁ TUBO BEM.

No antigo normal, a carga de trabalho já estava alta, o estresse já era alto, as cobranças e pressões sempre existiram e a instabilidade sempre esteve presente.

No antigo normal, a gente sempre estava tentando conciliar nossa rotina maluca com cursos de graça ou pagos para seguir aprendendo algo novo e se cobrando demais por isso. também.

No antigo normal, as mulheres com filhos já se desdobravam em mil para dar conta de casa, filho, delas mesmas e trabalho (falando daquelas que ainda possuem outra jornada).

No antigo normal, a galera já estava viciada em acompanhar a vida dos outros pelas redes sociais, mesmo sabendo que muita gente faz mais mal do que bem para vida delas.

No antigo normal, o pessoal já estava fazendo terapia para lidar com os problemas da vida.

No antigo normal, as pessoas já se separavam. Não é culpa da pandemia. (Spoiler: vai ter desabafo sobre esse tema).

Quando ouço “novo normal” soa sempre como um desaforo, na minha cabeça.

É como se quisessem colocar panos quentes sobre a nossa realidade o tempo todo.

O normal nunca existiu e muito menos o novo.

O que sempre vi: seres humanos sendo desafiados o tempo todo nessa montanha-russa que se chama vida.


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Por Ingrid

Sou cariúcha que não curte praia e adora chimarrão, casada com o Duda e mãe de duas gatinhas. Meus verbos preferidos: viajar, pechinchar, comer, cozinhar, falar, criar. =)