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Desabafo barato: put some drama

Sempre tive um certo preconceito com filmes do gênero dramático. Preferia os de ação e policial. Posso dizer que de uns anos pra cá tenho me dado a oportunidade de assistir muitas coisas de gêneros diferentes, mas o gênero menos atrativo era o drama. Acabei internalizando a ideia de que esses filmes já foram criados para serem apelões e fazer a gente chorar. Isso é verdade, em partes.

Quero falar de 3 filmes pontuais hoje: The fault in our stars (A culpa é das estrelas), If I stay (Se eu ficar) e La délicatesse (A delicadeza do amor). Eles são dramas, mas além disso existe outra coisa comum: encontrar um amor VS perder um amor. Fui um pouco mais além.

Antes de você começar a ler já darei um alerta de que minha reflexões podem conter spoilers dos filmes acima. Se você ainda não assistiu e se importa com spoilers, não continue a leitura.

Vou começar pelo A culpa é das estrelas. Não li o livro e já sabia de todo o apelo comercial por trás do filme. Demorei a ter vontade de assistir já que todo mundo só sabia dizer que chorou demais.

Quem tem algum familiar ou amigo que já passou ou passa pela luta contra um câncer sabe que é uma caminhada longa e sofrida. Acompanhei 3 casos na minha família. Dois deles foram dolorosas perdas e um teve final feliz. Acredito até que as pessoas podem ter se identificado em partes com o filme por conhecer alguém que tem ou teve câncer.

O filme em si é emocionante, mas o que me fez refletir foi quando a protagonista resolve ir atrás do autor de um livro que leu porque queria saber o final da história. Quando finalmente se encontra com o autor ela se depara com alguém que não tem as respostas e que também estava procurando por elas. Fazendo um resumo bem resumido (é para ser redundante mesmo) a temática do filme veio na minha mente como sendo: lidar com o fim das coisas. Sempre vamos nos fazer perguntas e nem sempre teremos respostas para essas perguntas.

O modo como as pessoas lidam com suas frustrações também é algo notável no filme. Um menino, amigo da protagonista, que teve que lidar com o término de um namoro, foi outro ponto marcante. O casal vivia dizendo always (sempre), fazendo menção de que o relacionamento seria para sempre, mas a menina terminou o relacionamento e ele ficou sem saber o que fazer com o always da parte dele. O “pra sempre” não existe. Nem mesmo o sempre que usei no início do post, pois ele pode ser substituído por “passei muito tempo tendo preconceito…”. Sempre  é uma palavra que dá uma ideia de continuidade, mas é uma condição que pode ser mudada, não é infinita.

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O filme Se eu ficar foi uma indicação. Uma amiga postou sobre o filme HER (se encaixa aqui neste post, mas com uma outra ótica) e eu comentei o quanto achei sensível. Ela indicou o Se eu ficar e me alertou para preparar o lencinho. Comecei a assistir, mas julguei no início do filme de que era mais dramalhão adolescente, mas foi mais do que isso.

Confesso que não derramei lágrimas com  A culpa é das estrelas. Fiquei com aqueles típicos “nós na garganta”, mas não chorei. Com este filme foi diferente. A sensibilidade dele morou em alguns detalhes, algumas cenas, principalmente mais para o final quando a protagonista consegue se encaixar no seu meio social (entre família e amigos) através da música. A música está presente em praticamente todo o filme e fica entre clássico e rock.

Nunca conheci alguém que tenha entrado em coma, mas sempre imaginei como seria essa experiência, o que se passa pela cabeça da pessoa, se é só um vazio, se passa filme da vida, sei lá… No caso deste filme, a menina em coma sai do corpo dela e tenta buscar forças e motivos para não ser guiada para a luz (morte). O romance que inicia bobo (talvez todo o início seja bobo na vida real mesmo) vai amadurecendo e até que chega a hora das escolhas dos caminhos. Em um diálogo com a mãe, a protagonista começa a vivenciar as dificuldades da vida e de que não podemos ter tudo, no melhor estilo uma escolha, uma renúncia. A mãe diz sem rodeios: “A vida é uma grande terrível bagunça, mas essa é a beleza dela”. E no meio disso tudo ela precisava canalizar forças para sair do coma. Durante toda a vida ela achou que a escolha do pai por uma vida mais “direita”, o que implicou na saída dele de uma banda, foi por conta do nascimento do seu irmão. Essa constatação muda quando o Avô faz uma revelação em meio ao apelo pela vida da neta durante o coma.

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Não quero entrar em muitos detalhes para não estragar o interesse de vocês pelos filmes. Também não quis usar os nomes dos personagens.E agora para fechar vem o drama francês.

No La Délicatesse não vou mentir que assisti por causa da Audrey Tautou. É o terceiro filme dela que assisto e é cativante cada atuação.

Nesse filme não vamos falar do amor entre dois adolescentes, mas vamos falar do amor entre dois adultos que não deixaram a magia (a parte mais boba e pura) do início do relacionamento acabar. Todo ano eles faziam questão de lembrar do dia em que se conheceram.

Eles casam, são felizes, mas a vida não é um conto de fadas, né? Pois bem. O mocinho morre. É bem assim mesmo. Duro, triste, direto. A vida é assim. A moça sofre, tem seu momento de luto e canaliza seus esforços no trabalho. E ela é doce, simples, encantadora. Às vezes a gente a acha que o filme vai tomar um rumo, mas muda. Achei que ia acontecer um romance óbvio com quem mais estava na cara, mas não. Um cara bem nada a ver e com jeitão de atrapalhado entra em cena e a moça tasca um beijo nele. Desse eu vou falar o nome: Markus. Ele é do tipo que passa despercebido na multidão e é o cara que trabalha na empresa faz um tempinho, mas que é meio invisível para as pessoas. O beijo acaba mexendo com Markus e parece dar uma injeção de ânimo e um up na auto-estima. A moça fica um pouco arrependida de ter agido por impulso e ter beijado o rapaz, mas se dá uma oportunidade de estar próxima de outra pessoa. Markus fica com medo de se envolver demais e se machucar e começa evitá-la de forma infantil. E agora estamos nos aproximando da parte que mais me chamou a atenção no filme. Ver a atitude infantil do Markus em querer se proteger para não se magoar acabou despertando o amadurecimento da moça e talvez nem ela tenha percebido isso. Ela diz para ele em tom irritadíssimo que não existe isso de se proteger e ela sabe muito bem do que está falando, pois sentiu na pele quando perdeu o chão com a morte do marido e não teve como se proteger disso. Algumas coisais fogem do nosso controle mesmo. A partir daí temos uma outra história de amor…

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Em todos os 3 filmes temos a morte se fazendo presente. No primeiro ela se faz presente através da doença, no segundo de um acidente trágico + experiência de quase morte e no terceiro um acidente trágico. É a fragilidade da vida, minha gente. Não necessariamente que todo filme de drama tenha a morte como pivô. Expor algum tipo de fragilidade geralmente torna tudo mais dramático. Talvez minha opção por não assistir filmes de drama tenha sido para não me deixar contagiar pela fragilidade desses filmes e podemos considerar uma lição no La délicatesse o fato de não podermos nos proteger o tempo todo das fragilidades da vida.

Tá, Ingrid. Por que você resolveu falar isso tudo?

Hoje em dia eu assisto filmes (de vários gêneros) com uma outra mentalidade e acho que todos eles querem nos dizer algo, por mais bobo que pareça. É lógico que não saio assistindo todos os filmes do mundo, mas gosto de receber indicações, gosto de indicar e me aventuro em alguns que não tenho ideia do lugar que eles podem levar minha mente. Isso é muito bom. Não tem como a gente viver de tudo nessa vida, mas os filmes nos permitem isso. Chegar em um lugar novo, fazer questionamentos nunca antes levantados, ir para o futuro, voltar no passado, sentir as dores dos outros.

Tomara que vocês curtam os filmes tanto quanto eu curti, mas se não rolar, também entenderei. Acho que os filmes e livros se completam em nós de acordo com as nossas experiências de vida.

Até o próximo desabafo! o/

About Ingrid Dagagny

Sou cariúcha que não curte praia e adora chimarrão, casada com o Duda e mãe de duas gatinhas. Meus verbos preferidos: viajar, pechinchar, comer, cozinhar, falar, criar. =)